O PMDBista Michel Temer, presidente interino do Brasil há 30 dias, autogolpeou-se para fora do Planalto. É um autoflagelo político inédito na história do Brasil. Desde que os deputados aprovaram o impeachment da Presidenta Dilma, no dia 17 de abril, Temer começou com a expectativa de amplo apoio parlamentar e com as constantes delações que envolveram o seu nome acabou sem poder.

A agonia recente de Temer, de seu padrinho Eduardo Cunha e do PMDB, quando já estavam fracos para o combate político e se limitavam a gritar obsessivamente que o impeachment não se tratava de um golpe, pode escamotear as origens da queda do presidente interino. As semanas que estão frescas na memória, nas quais o poder volta para a Presidenta Legitimamente eleita e abandona Temer, constituem o fim de um curto processo de queda, não seu início.

A dura verdade política, amparada na sequência de fatos dos últimos dias e nos desígnios reservados e públicos de seus principais artífices, expõe o quanto Temer é responsável por seu triste destino. Maquiavel – sempre ele – destacava o quanto um político, para ganhar ou manter poder, precisava ser ora um leão, ora uma raposa. Leão ao distinguir o momento certo de usar a força para esmagar adversários – adversários que pudesse eliminar e dos quais pudesse realmente prescindir no futuro. E raposa para usar a astúcia quando a força não fosse a estratégia mais adequada, naqueles momentos em que a vitória só fosse possível por meio de ardis. Um político inteligente sabe ser os dois animais.

Temer não soube ser leão ou raposa. Salvo lampejos de lucidez política, agiu desde o começo acreditando em uma promessa de apoio do PSDB. No poder os tucanos se utilizaram dele para sua autopromoção. Temer caiu no Golpe que ajudou a criar. O PSDB agora blindado, o PT com força para voltar em 2018 e o PMDB na vitrine vendo seus principais quadros entre eles o Presidente interino da república e recente presidente da sigla, sucumbir na lama da corrupção.

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